A realidade das mulheres que são atletas e mães
Se a vida de um atleta de alto nível não é fácil, o trabalho é dobrado para a mulher que concilia esporte e maternidade. O desejo de ser mãe não é fator contrastante com o desejo de ter uma carreira brilhante. Entretanto, a maternidade ainda é tabu no esporte. A seguir, entenda mais sobre esse cenário.
Os desafios enfrentados pelas mulheres que são atletas e mães
Para ser atleta profissional, é preciso fazer muitos sacríficios. A rotina exaustiva de treinos, as viagens constantes e o pouco tempo disponível para passar com a família e com os amigos são alguns motivos que levam muitos atletas a postegar a decisão de ter filhos. No caso das mulheres, o desafio é maior ainda. São diversos os casos de mulheres que perderam seus contratos após revelarem o desejo de serem mães.
A maternidade ainda é tratada como um estorvo na vida de uma atleta. Depois da gravidez, é comum a mulher ser vista como improdutiva no cenário esportivo. Os casos de perda de emprego pós-licença crescem gradualmente, com quase metade das mulheres fora do mercado de trabalho, mostra um estudo da FGV.
A rotina de uma mulher que concilia esporte e maternidade
Luany Bulla Vitali é mãe do Theo, jogadora de handebol de Maringá, personal trainer e nutricionista. Ela resume sua rotina em uma palavra: cansativa! A atleta trabalha o dia inteiro, treina a noite e cuida da casa e do filho. Desde quando o Theo nasceu, Luany conta com uma rede de apoio incrível, como sua mãe, sogra, irmão e marido. Essa ajuda é essencial para sua carreira esportiva.
Além da rede de apoio, Luany revela que a organização é fundamental para conciliar a rotina de treinos e a maternidade. Com relação às competições, ela conta que começou a viajar com o Theo quando ele completou quatro meses, e aproveita para exaltar a colaboração do time: “a minha equipe é sensacional, elas (as outras atletas) me ajudam a dar banho, ajudam a trocar”. Antes, seu único objetivo era o handebol, depois da maternidade, a jogadora diz que a sensação de chegar em casa e encontrar o filho é diferente, mais leve.
Se com uma rede de apoio e um time cooperativo a rotina já é puxada, imagina para tantas atletas que, ao se tornarem mãe, são veladamente discriminadas.
Escrito por Anna Julia Sbardelott
Em 18.03.22